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Corrida global a testes para detetar covid-19 dificultou envio de kits para Portugal

05/03/2020

Não foram só as máscaras de proteção ou os desinfetantes que esgotaram por causa do coronavírus. Os testes de despistagem da doença também têm estado em falta ou não têm chegado facilmente aos países que ainda registam um número reduzido de casos.

De acordo com o que apurou o DN junto de várias fontes hospitalares e farmacêuticas, os testes PCR para despistar o covid-19 estavam a ser canalizados para os países com maior número de casos suspeitos, nomeadamente China, Coreia do Sul, Itália, Irão, Espanha e outros, fazendo que as encomendas efetuadas pelos países com menos casos não chegassem no tempo e no número solicitados.

"Por exemplo, as empresas com uma lógica ibérica estavam a deixar os testes todos em Espanha, Na semana passada não veio para cá quase nada. Nesta semana, as encomendas já estão melhores, mas não ainda como gostaríamos. Se de repente tivéssemos de fazer 500 a mil testes, se tivéssemos de colocar mais sete ou oito hospitais a fazer despistagem de doentes, não teríamos capacidade para isso com as reservas que temos", confirmou ao DN o diretor de um laboratório hospitalar, que pediu para não ser identificado.

O mesmo reconheceu que a estratégia usada pelas empresas até faz sentido, mas que para salvaguardar situações destas deveria haver uma reserva estratégica nacional. "Há quem defenda que não é necessário haver uma reserva estratégica nacional para este tipo de situações, porque se pode ir sempre à reserva da União Europeia, mas quando se trata de uma epidemia à escala global é o salve-se quem puder. Cada um tenta abastecer-se primeiro." E sublinha: "Na semana passada sentimos muita dificuldade em obters os kits. Portugal não tinha casos e não estava no topo da lista para receber testes, agora estamos melhor."

Outra fonte referiu ao DN: "Não há falta de testes, mas não temos stocks, não há testes armazenados, se a situação evoluísse como em alguns países e se tivéssemos de começar a fazer muitos, e num curto espaço de tempo, não teríamos capacidade."

A situação não afetou só Portugal. A própria China, há duas semanas, notificou a Organização Mundial da Saúde para este facto, declarando estar já sem capacidade para fazer rastreio a todos os casos suspeitos, passando a fazer só o teste de confirmação aos casos positivos e a despistagem aos casos possíveis.